2009-04-15

sento-me à chuva,
vejo-te partir...
Sinto as gotas frias correrem pelo rosto,
mas não sinto frio, nem as pessoas passar...
Apenas sinto uma dor profunda,
como se,
espetasses a mais acutilante das espadas
directamente no meu peito.

E fico ali, perdida...
olhando no nada...
sentindo o vazio,
sentindo a incompreensão

Como partes assim...sem sequer olhar para trás...
Como consegues que não te doa?

Não sinto o tempo,
e, fico ali perdida...
ollhando o nada...
sentido o vazio..

Passa gente,
olham para mim...
só depois penso porque olhavam....
Saio de mim e olho-me
Que triste figura,
perdida no alpendre
perdida no olhar
sentada na pedra
levando com a chuva
chorando...
perdida...

Retomo a mim,
e ouço o que falam na minha mente...
As perguntas que pairam, que torturam...

Porque não te consigo odiar?
Porque não sai raiva
Porquê?

Porque olho nos teus olhos
e sinto
que ainda vivo em ti?

Porque é que sei o que sei?
Porque não sabes o que sei?

Porque desistes?
Porque não achas importante?
O que é que passou a valer mais para ti?
Qual é a necessidade que sentes?
Diz-me!

Fui eu não fui?
Como queria que a minha carga fosse mais leve,
Como queria ser mais independente,
Como queria que visses em mim algo que admirasses,
Como queria fazer-te amar-me para sempre...

Sinto o frio...
Sinto os pés dormentes...
Acordo..
Estou na rua,
Que figura triste...
Isto não sou eu!
Enxugo as lágrimas,
Levanto-me e olho em frente...
Não posso continuar amar-te,
Não posso continuar a ser eu...

Acendo um cigarro
Enquanto decido o que vou fazer a seguir,
Rodopio o anel,
ups,
Qual anel...
Foi-se.
Hoje foi-se a ultima ligação.
Foi.se o ultimo fio
que nos ligava...

Elas caem novamente
eu não as seguro
que odio
porque não mandamos em nós?
Porque sou tão frágil?
Quando é que isto vai embora?

Amanha,
Amanha apagar-te-ei pelo caminho
Quando chegar ao verde e frio isolamento
tu ficarás para trás...
Ficarás na tua liberdade,
Nas tuas paixões,
Nos teus objectivos,
Nas tuas metas
Ficarás contigo
e eu comigo.
Juro,
Vais desaparecer!

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