2006-01-05

escrito em meados de 2005

Ás vezes não me encontro, ás vezes não sei quem sou,
As vezes procuro-me e não me encontro.
às vezes não sei o caminho que percorri
nem aquele que percorro.
às vezes sofro sem saber o certo e o errado
o bom e o mau...
ás vezes sinto-me só
sem ninguém para me perceber,
ás vezes tenho medo, de escrever... de falar...
de pensar...
pois em mim nada parece aceitável,
nem compreensivo aos outros.
Ás vezes não quero ser quem sou,
nem o que quero ser,
nem mesmo o que fui.
às vezes quero chorar e não consigo,
sinto a alma espremer-se e contrair-se até ao
ínfimo e não me permito sentir...
Às vezes tenho medo de me sentir ainda mais só,
tenho medo dela,
da solidão...
E fujo-lhe,
com unhas e dentes,
mas por dentro, sinto-me só, vazia...
Às vezes tenho medo de escrever
que antes era o escape,
era as lágrimas..
Tenho medo de as palavras não chegarem
Não existirem,
Para que possa ser transparente.
Às vezes nem eu me entendo, sinto-me enorme e
demasiado complexa e no fundo sinto-me também um
nada...
às vezes sinto demais, doí-me demais e não percebo.
Às vezes sinto-me diferente,
Olho á volta e nada se me assemelha.
Às vezes sinto-me um trapo, fezem-me sentir um zero,
e no fim sinto-me culpada de me sentir dramática.
Às vezes queria outra vida, outra alma, ou mesmo a alienção para tudo o que fosse
mais fácil para continuar a seguir em frente!

2006-01-04

Na brisa de dias melhores~
vou-me deixando carregar..
na melodia de um beijo
no sabor de um perfume
suspirando a saudade
mergulho nas memórias
revivendo uma noite...
aquela noite..
onde tu e eu fomos,
pela primeira vez um só..
onde a alma de despudurou
perante o reconhecimento de outras vidas vividas..
onde o teu toque me electrizava,
e o teu peito me acalmava...
naquela noite..
porque o coração finalmente venceu a razão,
porque o peito clamava o destino,
porque a tua boca pedia um beijo,
porque eu ardia consumida pelo fogo que emanamos juntos,
porque sim..
naquela noite..
em que os pedaços mais saborosos
foram aqueles em que
sem palavras
meus olhos estavam transparentes
e eu,
desarmada,
(pela primeira vez)
era só eu..
Soube bem, sentir-me refugiada do mundo
protegida
plo bater do teu coração,
inteira por ter reencontrado o meu..
E hoje,
ainda sinto o teu perfume entranhado nas minhas coisas,
ainda me arrepio a pensar no teu toque,
ainda ouço o bater do coração como se ele estivesse aqui..
E mesmo, que tenha sido um momento,
na emensidão da vida,
que o futuro não nos reserve mais destino
a vida terá sido muito generosa,
e o momento perdurará na minha alma
emoldurado em felicidade...

uma Passagem de ano de há já alguns anitos...queria ter parado nessa época!

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2006-01-01

Uma Nova Etapa Inesperada

Na negrura de uma passagem mental,
cresco sem saber...
pensando que a dor seria destruitiva,
eu me surpreendo a mim mesma
estando em pé.

E apesar de me estar a abrir uma fenda
no cerne da alma,
apesar de sentir tormentos..
sinto um vazio inacreditável.
Como se a vida tivesse parado e eu estivesse a flutuar,
observando, por cima, a vida desenrolar.
Sentindo como se estivesse a ser levada ao colo pelo Senhor,
Tal como se vê nas pegadas na areia...

Sinto-me em choque.
Sinto-me completamente mergulhada em farinha;
ao mesmo tempo ofegante por respirar e
com vontade de continuar adormecida...

A minha alma parece-me agora tão sábia..
tão racional..
Depois de ter escutado o coração
lidera agora a razão!

Sinto uma Paz,
como se tivesse cumprido
um desígnio almejável..
Como se a vida em si se tivesse encerrado
mas não por completo,
apenas uma parcela.

Sentimento de missão cumprida
Descanso de alma perdida...

E, penso,
a vida é o mundo
e o mundo é gigante
e gigantes são as suas possibilidades...

Grãos de areia
somos nós,
estes seres estúpidos
que se acham tão GRANDES,
Mas, que no fundo
perdemos tanto tempo na nossa grandeza
que nos esquecemos da vida,
que nos esquecemos de a viver...
por nós,
para nós e,
de nós!

carla lima