Natal... Natal... Natal...
Nesta altura a palavra de ordem é Natal. E com ela vem as luzes, os enfeites, as árvores, as famílias, as lareiras, as consoadas, as prendas.... rios e rios de dinheiro gasto num país pobre.
Tudo ilusões de Dezembro que passam por nós com a rapidez dos dias..
e depois...
Depois temos papel e restos para deitar fora, dinheiro para contar a ver se chega o fim do mês e sorrimos pois a passagem do ano vem aí e é preciso comprar roupa de moda, preparar um sítio in para ir desfilar e gastar dinheiro...
E o que é o Natal?
- há, isso é o dia em que nasceu Jesus...
- há, isso é o dia em que o pai Natal vem dar prendas aos meninos...
- Há, isso é amor...
- Há, Natal é todos os dias...
- Natal é alegria, paz e amor...
- Natal é ajudar os outros...
- Há, Natal é juntar a família...
E pergunto-me eu, onde está tudo aquilo que Jesus quiz simbolizar ao nascer numa manjedoura? Está nas prendas? Na roupa de moda? Nas luzes? No pai Natal? Nas famílias que se juntam para se pavonear umas com as outras? Nas famílias que não têm o que comer e onde dormir?
E onde está o amor? Na dadíva de prendas aos nossos? Em gastar rios de dinheiro em prendas, em brinquedos que se amontoam todos os anos? É isso a alegria?
E ajudar os outros? onde está? pode existir é verdade. E o resto do ano, as mesmas pessoas que passam fome no Natal, que não têm o que vestir, onde dormir, durante o resto do ano já não precisam?
O que é que nós somos? Seres Humanos? como? Se o que nos distingue do resto, é sermos racionais, é sermos humanos e essa humanidade só parece existir pontualmente.
Quando olhamos para histórias e ouvimos que alcateias de lobos e cães, e até galinhas adoptam crianças humanas perdidas e lhes dão de comer e abrigo e quando olhamos para nós, especialmente no Natal, e somos dos seres mais egoístas que pode haver, os mais hipócritas que pode existir..
A vida não está facil para ninguém, eu sei. Mas se olharmos para cima (e quanto mais para cima olhamos, mais diferenças vimos) os que mais têm são os que menos se preocupam em olhar para baixo, em olhar para o lado..
Isto tudo doí, no mais fundo do meu lado humano. E a sensação de impotencia e de injustiça levam as minhas lágrimas a correr como se fosse o último reduto.
Num mundo tão democrático e tão humano, como se proclama é impressionante como na realidade somos cada vez mais animalescos uns para com os outros!
Bom Natal e Feliz Ano Novo para todos!
uma alma descorre de um ser. todos os seres passam por uma vida. de certa forma as vidas chegam a assemelhar-se... no exemplo, na experiência podemos reencontrar-nos!
2005-12-20
2005-07-05
mãe
será que vou ficar como tu, perdida na noite no meio de mim?
será que vou perder o sentido de mim?
será que o que vejo e sinto são reflexos do espírito maligno que te assombra entrando em mim..
diz-me se é masoquismo ou dor o que sinto no peito?
sê para mim uma vez o que sempre deverias ter sido desde que me crias-te...
diz-me como é?
diz-me como se sabe onde acaba a razão que nos guia...
solta a minha alma deste calvário
diz-me se em mim o diabo também habita
diz-me se algum dia poderei ser leve como uma pluma
voar pela vida comigo em mim,
amando, sorrindo, cantando, sonhando, vivendo...
sem medo de ser demasiado alto e não voltar
com medo de perder a todos sem ver
com medo de acordar fechada numa bola de cristal vivendo aquilo que a minha mente quer...
salva-me com o teu saber...
deixa-me voar
deixa-me acreditar
que isso é apenas um desaire teu, do teu ser, da tua alma, do teu destino
e não do meu...
será que vou perder o sentido de mim?
será que o que vejo e sinto são reflexos do espírito maligno que te assombra entrando em mim..
diz-me se é masoquismo ou dor o que sinto no peito?
sê para mim uma vez o que sempre deverias ter sido desde que me crias-te...
diz-me como é?
diz-me como se sabe onde acaba a razão que nos guia...
solta a minha alma deste calvário
diz-me se em mim o diabo também habita
diz-me se algum dia poderei ser leve como uma pluma
voar pela vida comigo em mim,
amando, sorrindo, cantando, sonhando, vivendo...
sem medo de ser demasiado alto e não voltar
com medo de perder a todos sem ver
com medo de acordar fechada numa bola de cristal vivendo aquilo que a minha mente quer...
salva-me com o teu saber...
deixa-me voar
deixa-me acreditar
que isso é apenas um desaire teu, do teu ser, da tua alma, do teu destino
e não do meu...
solidão
Na escuridão da noite, de encontro a cada canto, a cada aroma, a cada tu que deixas-te tão apressa para trás, não me encontro a mim mesma... o meu peito aperta desde que te vi arrancar naquele maldito autocarro que me arracou gordas lágrimas de uma tão tenra saudade...
já tive mil e uma doenças... já gritei, já irritei, já chatei toda a gente que me rodeou hoje..
e tu?
tu que tão depressa e subitamente quizes-tes partir
tu que ias ver a tua irmã, estar com ela no seu dia de anos
tu que ias matar saudades da tua mãe...
deixaste-me aqui perdida... só ... triste..
cada vez que atendes-te parecia estar a falar a um estranho sem tempo para mim, interpelado por todos...
tu, que disseste que ligavas quando chegasses do café... e ainda não ligas-tes..
tu, que queres ser o primeiro a lá chegar e um dos primeiros a sair comigo...
tu, que mal tens disparatado ou corrido atrás de aventuras... e dos grupos de amigos... ias perseguindo um deles...
que mais fazes sem mim??
porque o fazes só quando estás sem mim?
sabes o que doi mais? não é fazeres nada... e sentir na tua voz a emoção de teu auto-reencontro... e ecoar na minha mente a voz dela... e sentir as lágrimas a querer saltar fora quando fujo da voz do meu coração, que me diz que não és mais meu... que te prendo e amarro sem saber... que te trouxe para uma vida que não é tua, para um tu que não és tu...
achas que me ouves???
ouvirei a maquinazinha a tocar dizendo para te ligar... ouvindo a tua voz dizendo que me amas... que te está a custar tanto como a mim... que disparate... claro que não, não fui eu que parti... fugi... fostes tu!
já tive mil e uma doenças... já gritei, já irritei, já chatei toda a gente que me rodeou hoje..
e tu?
tu que tão depressa e subitamente quizes-tes partir
tu que ias ver a tua irmã, estar com ela no seu dia de anos
tu que ias matar saudades da tua mãe...
deixaste-me aqui perdida... só ... triste..
cada vez que atendes-te parecia estar a falar a um estranho sem tempo para mim, interpelado por todos...
tu, que disseste que ligavas quando chegasses do café... e ainda não ligas-tes..
tu, que queres ser o primeiro a lá chegar e um dos primeiros a sair comigo...
tu, que mal tens disparatado ou corrido atrás de aventuras... e dos grupos de amigos... ias perseguindo um deles...
que mais fazes sem mim??
porque o fazes só quando estás sem mim?
sabes o que doi mais? não é fazeres nada... e sentir na tua voz a emoção de teu auto-reencontro... e ecoar na minha mente a voz dela... e sentir as lágrimas a querer saltar fora quando fujo da voz do meu coração, que me diz que não és mais meu... que te prendo e amarro sem saber... que te trouxe para uma vida que não é tua, para um tu que não és tu...
achas que me ouves???
ouvirei a maquinazinha a tocar dizendo para te ligar... ouvindo a tua voz dizendo que me amas... que te está a custar tanto como a mim... que disparate... claro que não, não fui eu que parti... fugi... fostes tu!
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