Num sonho vi ainda o amigo, na vida real encontro ainda o vazio.
Na minha alma perdida encontro uma enormidade de porquês que não conseguia mais conter;
Amigo porque fostes embora assim tão cedo?
Porque te transformaste numa parede tão negra que absorve todos os raios coloridos do sol?
Porque te transformaste a meus olhos na máquina infernal que tanto odiámos?
Na máquina que ciclicamente repete as regras do mundo cruel que lhe foram incutidas.
Na máquina que não ouve,
Que não fala,
Que não compreende,
Que não raciocina,
Que não reage,
Que manipula e se deixa livre para se manipular,
Que sorri daquilo que não tem piada,
Que ama aquilo que não tem valor,
Que se ajusta à sociedade mecânica sem olhar a meios nem a fins.
Porque não procuraste ouvir-me eu estaria aqui para te ouvir?
Porque não procuraste queixar-te a mim de mim se sabes que era a nossa maneira de ser?
Porque negras raízes fincastes, que acredito nem te teres ouvido a ti mesmo?
Pois seria impossível que o amigo que conheço fosse assim.
Porque forças buscastes quando fingistes que eu seria um trapo?
Pois na alma branca que conhecia nunca encontrei semelhantes forças negras.
Onde escondestes a tua alma e o teu coraçãozito?
Se soubesses o buraco aberto que deixastes…
Se soubesses a alma dorida que deixastes…
Nem eu sabia que a deixarias assim!
Será que te importas?
Será que pensas nisso?
Será que relembras alguma coisa?
Eu ainda lembro os dias brilhantes e radiosos de Inverno e Outono onde, como duas crianças brincávamos, como se o mundo negro que nos rodeava nunca nos fosse ofuscar.
Eu ainda lembro da primeira pessoa que me limpou as lágrimas em dezanove anos de vida meus, ainda lembro do calor das palavras e do carinho da primeira pessoa que pareceu sinceramente interessada no que sentia, no que era, no que vivia e no valor da minha vida. Com os olhos doces fixando a minha alma, lendo-a e trazendo-a acima da máscara pela primeira vez. Com uma facilidade que nem eu mesma acreditei possível, nem se fosse feito por mim!
Eu ainda lembro alguém inseguro que me procurava e sinceramente esperava as minhas respostas.
Eu ainda me lembro conseguir com o olhar, no meio da multidão frívola, nos rirmos das suas frivolidades sem que ninguém ameaçasse os nossos pensamentos.
Ainda lembro as noites de luar, com a tua amiga, em que a alma fugia no seu som, e a música se fundia com o coração. Noites em que as pessoas, juntas, pareciam inofensivas. Onde se encontrava a verdadeira paz.
Porque foi que nos deixamos corromper?
O que entrou em nossas almas que nos afastou como dois imanes opostos?
Terá sido somente a minha falha em pedir-te permissão para algo que sempre pensei compreensível, naquele dia? Ou terá sido algo mais que já vinha de trás?
Queria saber porque foi que a mais bela e a mais rara coisa do Universo,
A AMIZADE
Se esvaneceu no ar?
Foi como se segurasse na mão areia e ao abri-la tivesse-a visto escapar-se-me por entre os dedos sem que pudesse fazer algo para a evitar de fugir.
Tive uma sensação de impotência perante os factos que evidentemente via, encaminharem-se para o clímax e finalmente para o catastrófico final.
Acho que nunca quis ver/acreditar verdadeiramente nesse desfecho e então deixei-o fluir…
Não me julgues uma mais a pedir um espaço no teu coração escarlate,
Nem me julgues a rastejar para ter de novo um espacinho no teu coração rosa,
Julga-me por uma iluminada que via e vê, em ti, um dos iluminados que serão capazes de fazer deste mundo um bocadinho mais agradável, daqueles que ainda resistem à maquinização.
Julga-me uma alma incompreendida que não consegue compreender.
Julga-me perdida, à procura dos porquês…
Julga-me pelo que julgo saberes de mim.
Julga-me com o pedaço do teu eu, que eu acredito ainda viver em ti!
Julga-me primeiro com o coração e só depois com a razão…
Ou então não me julgues e deita todos os meus pensamentos fora e assim saberei que foi mais um dos meus sonhos o amigo que tive, a amizade que tinha os dias que vivi!!!
1 comentário:
sim, mas agora a sério.. o que queres dizer com esta lengalenga toda?
Zorrinha
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